Tecnologia impulsiona evolução da saúde

Desenvolvimento científico no setor abre oportunidade de trabalho para médicos e profissionais de outros segmentos atuarem em conjunto.

tecnologiaO desenvolvimento tecnológico vem impulsionando a evolução da medicina e está unindo profissionais da saúde a outros, de áreas distintas. Juntos, eles constroem novas técnicas que garantem diagnósticos mais precoces e precisos. “Áreas que tradicionalmente não participam da cadeia da medicina têm agora uma grande chance de interação. O indivíduo que faz algoritmos computacionais, por exemplo, tem encontrado oportunidade de trabalho na área médica”, diz o neuroradiologista e coordenador do Instituto do Cérebro, pertencente ao Hospital Israelita Albert Einstein, Edson Amaro.

Segundo ele, o poder computacional atual permite processar conhecimentos em larga escala com muita facilidade. “Para o médico usar esses dados, ele necessita do apoio de profissionais de áreas como matemática, ciência da computação, engenharia de dados e estatística, tanto que os hospitais estão contratando esses profissionais”. Amaro afirma que o novo profissional de saúde tem de estar preparado para aprender a lidar com máquinas e novas informações quantitativas sobre saúde. Por outro lado, profissionais que não são da área médica têm novo nicho de atuação na saúde. Eles são muito valorizados, porque a informação é a chave para essa interação.”

De acordo com Amaro, o médico está assumindo a função de líder e gestor de equipe multidisciplinar que lhe dá suporte para utilizar todo o conhecimento existente em benefício do paciente. “No processo de aprendizagem os médicos sempre estiveram expostos às várias possibilidades de doenças, interações com os pacientes e a forma de como abordar a questão humana. Agora, para cada um desses passos é possível ter suporte de um programa de computador. Os novos profissionais precisam identificar os prós e os contras dessas ferramentas para saber como usá-las.”

Esses softwares são baseados em plataformas variadas e amplas. “É o conceito do big data: variedade, volume e velocidade da informação. Eles analisam dados complexos mas, mesmo assim, ainda cabe ao médico tomar a decisão sobre o caminho terapêutico que irá aplicar a cada paciente”. Aluno de pós-doutorado do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-libanês, Thiago Romano afirma que a área médica vive um boom de informações novas todos os dias. “Isso gera uma formação compartimentada e exige que o profissional seja seletivo em relação às informações que recebe. É importante trabalhar com o conceito de multidisciplinaridade e realizar interações com profissionais de outras especialidades médicas para oferecer o melhor tratamento ao paciente.”

Diretor de ensino e pesquisa do Hospital Sírio-libanês, Luiz Fernando Lima Reis diz que haverá desenvolvimento contínuo de máquinas cada vez mais sofisticadas, que deverão ser conectadas ao processo assistencial. “Teremos grande necessidade de digitalizar o processo assistencial no futuro. Por isso, nos esforçamos em pesquisar métodos de transmissão de dados para que haja interconectividade entre a informação assistencial, o processo de diagnóstico, de consulta e acompanhamento do paciente”. Segundo ele, outra área que está passando por grande evolução é a medicina nuclear. “Houve avanço importante com o desenvolvimento de traçadores moleculares que permitem entender não só a natureza da imagem, mas também a sua funcionalidade, por isso é chamada de imagem funcional.”

O diretor de governança clínica do Hospital Sírio-libanês, Antonio Antonietto, conta que 25% dos postos de trabalho no mundo estão ligados à área da saúde. “E isso tende a crescer. No futuro, é provável que quem trabalhar com saúde terá mais oportunidades de emprego”. Antonietto afirma que a área médica passa por uma revolução. “Acreditamos que no futuro haverá muito autodiagnóstico. Hoje, já é possível comprar um aparelho e saber se a pessoa é hipertensa ou se tem diabetes. O mesmo ocorrerá em relação ao autocuidado para melhorar a saúde”. Segundo ele, médicos que farão muito sucesso no futuro serão aqueles que tratarão da mobilidade. “Em 2050, a maior parte da população mundial será formada por idosos acima de 60 anos. Será a primeira vez que isso vai ocorrer. Além de fisiatras, profissionais como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, cuidadores, enfermeiros e nutricionistas terão grande demanda.”

Antonietto afirma que o médico do futuro precisará ter grande conhecimento de informática para dominar as tecnologias. “A inteligência artificial, também chamada de computação cognitiva, é revolucionária. A IBM já tem um sistema chamado Watson, que aprende conforme ensinamos. Se passarmos as informações de um paciente ele dá o tratamento como se fosse um médico. Ele lê mil páginas em um segundo e decora tudo. É capaz, inclusive, de fazer interpretação metafórica”. Segundo ele, geneticista é outra especialidade que terá enorme sucesso no futuro. “A cada dia existe alguém estudando como ligar ou desligar o gen que causa determinada doença. Outra novidade será a impressora 3D biológica. Cientistas americanos já estão construindo um vaso sanguíneo. No futuro, será possível construir um fígado a partir de célula tronco. Já existe aparato teórico para isso.”

Fonte: Estadão

‘‘Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes.’’ 1 Coríntios 15:33 (clique aqui e se surpreenda)

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