Ano de nascimento influencia nossa resistência à gripe

Primeira infecção, na infância, ajuda a prever o quão suscetível cada um é a epidemias

gripe-idososO ano em que uma pessoa nasceu pode indicar, até certo ponto, qual será a probabilidade de ela ficar gravemente doente ou até morrer em um surto de um vírus Influenza de origem animal. Isso porque a resistência de cada pessoa à gripe é determinada pelo tipo de vírus — H1N1 ou H5N1, por exemplo — com o qual ela tem seu primeiro contato, ainda na infância. A conclusão é de um estudo publicado na “Science”.

Até agora, acreditava-se que a exposição anterior a um vírus da gripe oferecia pouca ou nenhuma proteção imunológica contra novos vírus que podem passar de animais para seres humanos. Porém, os resultados do novo estudo mostram que qualquer cepa de gripe humana a que uma pessoa tenha sido exposta em sua primeira infecção ajuda a determinar as cepas contra as quais ela estará protegida no futuro.

É como se fosse uma impressão digital deixada pela primeira infecção, o que os cientistas estão chamando de “impressão imunológica”. E ela parece ser deixada somente após a primeira exposição a um vírus da gripe ao longo de toda a vida — e, ao que tudo indica, essa “impressão” nunca sai. Feita em parceria entre as universidades do Arizona e da Califórnia, nos EUA, a pesquisa carrega pistas importantes para futuras medidas de saúde pública destinadas a conter os riscos de um grande surto ou epidemia de gripe.

— Mesmo uma epidemia de gripe comparativamente fraca como a do H1N1 (gripe suína) em 2009 foi capaz de mexer com trilhões de dólares — lembrou Michael Worobey, chefe do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade do Arizona e um dos autores do estudo. — Uma grande pandemia, como a que o mundo teve em 1918, tem o potencial de matar um assustador número de pessoas e de, ainda por cima, quebrar a economia mundial.

A equipe de pesquisadores estudou dois vírus da gripe A — ou gripe aviária –, o H5N1 e o H7N9, ambos causadores de centenas de casos de doença grave ou morte em seres humanos. As duas estirpes são de interesse global porque podem, em algum momento, ganhar mutações que lhes permitam não apenas ser facilmente transmitidas de aves para pessoas, mas também se espalhar rapidamente entre hospedeiros humanos. Cientistas ainda buscam desenvolver uma vacina universal, que sirva para proteger as pessoas de todos os tipos de vírus Influenza – Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Quando um indivíduo é exposto ao vírus da gripe pela primeira vez, o sistema imunológico produz anticorpos para a hemaglutinina, uma proteína receptora em forma de um pirulito que sai da superfície do vírus. Tal qual pirulitos reais, que vêm em diferentes sabores, os vírus Influenza diferem uns dos outros na composição de suas hemaglutininas. Mas todos os 18 subtipos conhecidos de hemaglutinina do vírus da gripe A se inserem em somente dois grupos principais de “sabor”.

Nessa analogia, digamos que, quando criança, você foi exposto pela primeira vez a uma gripe humana feita de “pirulito laranja” — diz Worobey. — Se, mais tarde, você encontrar outro subtipo de vírus da gripe, que seu sistema imunológico nunca viu antes, mas cujas proteínas são semelhantes ao “laranja’, seu risco de morrer é muito baixo. Mas, se a sua primeira infecção foi por um vírus do grupo “pirulito azul”, você não estará protegido contra esta nova cepa da família “laranja”. Isso traz uma explicação para um problema que intrigou epidemiologistas por um longo tempo: por que certos grupos etários são mais propensos do que outros a sofrer complicações graves ou mesmo fatais de uma infecção com novas cepas de gripe?

Na analogia do pirulito, as pessoas nascidas antes do final da década de 1960 foram expostas à gripe “pirulito azul” quando crianças (H1 ou H2). Os pesquisadores descobriram que esses grupos mais velhos raramente sucumbem ao H5N1. Já as pessoas nascidas após o final da década de 1960 e expostas na infância ao “pirulito alaranjado” Influenza (H3) mostram o padrão oposto: elas estão protegidas contra o H7N9, mas sofrem de doença grave quando expostas a vírus H5 incompatíveis com a sua exposição infantil.

Fonte: O Globo

‘‘E a vossa aliança com a morte se anulará; e o vosso acordo com o inferno não subsistirá’’ Isaías 28:18a (clique aqui e se surpreenda)

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