Medicamentos em xeque

Casos em que novas análises levantaram dúvidas sobre a eficácia de drogas aprovadas e a extensão de seus efeitos colaterais.

lupa remédioAté que um medicamento seja lançado, ele costuma passar por três fases de pesquisa. Já no mercado, ele continua a ser monitorado. O objetivo é garantir a eficácia, claro, e a segurança da droga para as pessoas. Esse processo pode levar anos, mas, segundo um movimento que cresce no mundo todo, não é o suficiente.

Cientistas, médicos e observadores da área de saúde, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, estão pressionando a indústria farmacêutica e as agências de vigilância sanitária para que elas tornem públicos os relatórios dos testes dos medicamentos. A ideia é que, de posse desses dados, pesquisadores independentes possam revisá-los para certificarem-se de que estão corretas as informações apresentadas pelas empresas às agências que aprovam os medicamentos. A preocupação tem procedência: é a indústria farmacêutica que financia e coordena os estudos clínicos, o que causa conflitos de interesse.

A pressão sobre a indústria se baseia em casos recentes de remédios retirados do mercado em razão dos riscos ou cuja eficácia foi contestada após novas análises dos estudos leia tabela abaixo. A publicação de revisões que sugerem a omissão dos dados também contribuiu. Um levantamento publicado pela agência do governo da Alemanha, chamada IQWiG, sugere que informações importantes são omitidas dos médicos e dos pacientes pelas empresas. Os alemães compararam os dados dos relatórios da indústria a artigos que haviam sido publicados em jornais científicos.

Nessas publicações dirigidas a especialistas, os cientistas que fazem testes de novas moléculas para a indústria publicam os resultados mais importantes dos estudos, para divulgá-los. Segundo o levantamento da agência alemã, alguns dados relevantes ficaram de fora. Das 1.080 conclusões, apenas 39% haviam sido relatadas. Informações como a não remissão dos sintomas após o uso da medicação e o aparecimento de alguns efeitos colaterais não chegam ao conhecimento dos médicos e dos demais cientistas. E, portanto, dos pacientes.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA), que avalia novas drogas na União Europeia, divulgou pela primeira vez, em outubro do ano passado, os dossiês de medicamentos completos enviados pelas empresas farmacêuticas a partir de janeiro de 2015. Mas a maior parte dos medicamentos que já estão no mercado continua com seus dados fechados. No Brasil, a Associação da Indústria Farmacêutica de pesquisa (Interfarma), entidade que congrega multinacionais, manifestou-se, em novembro de 2015, na contramão dessa tendência.

A entidade pede a criação de uma lei no Brasil que garanta um período de proteção aos dossiês de testes de medicamentos, sob o argumento de que há o risco de segredos industriais vazarem – o que colocaria em risco o desenvolvimento de novas drogas. Conheça a história de alguns medicamentos que foram retirados do mercado – ou que têm sua eficácia em xeque – em razão de novas análises.

Fonte: Exame

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto.” Salmos 51:10 (clique aqui e se surpreenda)

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